Ano 3 Número 1 - jan/2016

versão digital

Marilia de Abreu Silva, presidente da SMCRJO repasse insuficiente de verba para as universidades públicas no Brasil já é um problema de outros réveillons. As frequentes greves dos servidores por melhores condições de trabalho e salários, basicamente, já entraram no calendário letivo dos alunos. Para os estudantes da área de Saúde, a crise é prejudicial não apenas pela falta de infraestrutura nas dependências das faculdades, mas também pela precariedade em que se encontram os hospitais universitários.

Conhecidos como HUs, estes hospitais são importantes ferramentas de aprendizagem, na graduação, pós-graduação e residência, possibilitando aos alunos colocar em prática e desenvolver os ensinamentos aprendidos na sala de aula. Além disso, também são celeiros de importantes pesquisas e oferecem assistência médica gratuita à população por meio do SUS. Ou seja: o problema coloca em risco a qualidade da formação dos novos profissionais, o avanço da ciência e prejudica os indivíduos que dependem dos serviços públicos de Saúde.

O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da UFRJ, que desenvolve importantes pesquisas sobre células tronco embrionárias, suspendeu parte de suas atividades no dia 15 de dezembro. Consultas e cirurgias foram canceladas, pacientes internados precisaram ser transferidos para outras unidades e foi suspensa a marcação de novas consultas ambulatoriais. O HU Antonio Pedro, da UFF, passou pelo mesmo há poucos meses. Já na Uerj, os funcionários e residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) entraram em greve por falta de pagamento em dezembro e os pacientes correm, diariamente, risco de infecção hospitalar por causa da falta de serviços de limpeza. O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), da UniRio, que é referência no tratamento de pacientes com HIV/Aids, quase fechou as portas no último mês.

Felizmente, uma ação de primeiros socorros foi realizada: o Ministério da Saúde (MS) liberou, no dia 31 de dezembro, verba emergencial para os HUs do Brasil. A quantia repassada para as unidades do Rio foi de 4,1 mi e os hospitais ligados às universidades federais foram beneficiados. Mas todos sabemos que após os primeiros socorros, o tratamento adequado precisa ser realizado com rapidez para que a complicação inicial não volte com mais força.

A crise da Saúde Pública acompanha a avalanche de problemas sem solução que o Brasil vem enfrentando em outros âmbitos, como Educação, Segurança e Política. Resta-nos, como cidadãos, torcer para que estes inconvenientes sejam resolvidos o quanto antes e, como médicos, fazer o que estiver ao nosso alcance para tentar melhorar a situação – mesmo que isso ainda seja pouco.


Agenda